Desenvolvendo a liderança: o programa TDP

Desenvolvendo a liderança: o programa TDP

Tanto se comenta sobre este paradigma de envolvimento multifuncional principalmente operacional, porém nunca estudamos um modelo estruturado para que isto aconteça na prática.

A aplicação do TDP (Team Development Program) viabiliza a participação das pessoas, principalmente da operação, no processo de mudança. Uma das grandes indagações dos colaboradores é a imposição das idéias via Kaizen. Não é raro ver pessoas contrariadas com as ideias implantadas via Gemba Kaizen. O que acontece é que muitas vezes os conceitos por trás das alternativas escolhidas nos kaizens não são de domínio de todos e isto gera este grande desconforto. Realmente, a mudança por si só já é de difícil aceitação, e a situação só piora se os conceitos com os quais estão habituados vão de encontro a estas novas propostas surgidas nos Gemba Kaizens. Quantas vezes participa-se de discussões em que as pessoas defendem conceitos antigos como produção em lotes, inclusão de atividades que não agregam valor como inspeções e testes ou ainda a manutenção dos estoques intermediários. Todas estas dúvidas podem ser melhor esclarecidas através do conhecimento proporcionado pelo treinamento recebido via TDP.

O TDP engloba todas as etapas do desenvolvimento de pessoas. A primeira etapa diz respeito ao treinamento dos líderes dos times naturais. É neste treinamento que se inicia o processo de conscientização do pessoal operacional. Simplesmente relacionando os conceitos propostos no Modelo Toyota com as situações práticas encontradas na fábrica e que são da rotina das pessoas a muito tempo, consegue-se despertar a visão de que o novo modelo tem grandes vantagens e  que poderá ajudar fortemente na resolução dos problemas que antes pareciam complexos demais para serem mudados, em outras palavras, é na fase de treinamento que inicia-se a eliminação de alguns paradigmas enraizados na organização.

A segunda etapa do programa é o treinamento no Gemba. Nesta fase os líderes dos times naturais repassam todo o conhecimento adquirido aos operadores de seu time. É importante ressaltar o enfoque prático nesta etapa. É neste momento que proporciona-se aos operadores a ideia de que os conceitos KAIZEN™ e a rotina de produção são assuntos que se complementam que têm o mesmo objetivo. Além disso, ao repassar os conceitos aos operadores é importante deixar claro que as melhorias a serem sugeridas serão originadas da análise dos novos conceitos recebidos e todo o Know-how conquistado na prática da função.

Logo após o treinamento recebido no Gemba, os operadores da linha são estimulados a sugerirem melhorias. O método é a realização de uma reunião semanal onde são discutidas as idéias de melhoria possíveis de serem implantadas na área, sempre se reforça que a melhoria deve estar alinhada com os conceitos recebidos na fase de treinamento. Esta é a principal diferença entre a implantação das idéias via CCQ e via TDP. As melhorias do TDP devem necessariamente estar vinculadas aos conteúdos discutidos na fase de treinamento, sendo que o time deverá reconhecer qual desperdício se reduz com a implantação da ideia.

Outro aspecto importante desta fase de replicação do treinamento no Gemba, é o fato de que as sugestões de melhoria devem ser executadas pelo próprio time. Claro que em alguns momentos o envolvimento de outras áreas se faz necessário, mas prioritariamente é uma responsabilidade do líder do time natural viabilizar a melhoria. Esta estratégia cria na equipe o senso de propriedade da mudança. A partir do momento em que são envolvidos na execução da ideia sentem-se parte da nova realidade da linha.

Durante o desenvolvimento do time é importante o acompanhamento e orientações sobre as melhores práticas a serem adotadas. Além de funcionar como apoio ao time, é neste momento que se coloca em avaliação os critérios que validam a mudança de comportamento. Para recomeçar um ciclo com outro tema, deve-se garantir que todos os times atingiram um patamar mínimo de conhecimento. Esta avaliação é feita periodicamente na linha analisando-se critérios como melhorias implantadas e nível de conhecimento das pessoas da linha.

A avaliação realizada periodicamente é a fonte de informação para a última etapa do programa, a etapa de reconhecimento das melhores práticas. Nesta fase é importante valorizar o empenho e desenvolvimento dos melhores times. Este reconhecimento funcionará como um fator de estimulo para os demais grupos e também para os próximos temas de comportamento a serem treinados.

O TDP é uma metodologia estruturada para o envolvimento das pessoas nos processos de melhoria. É claro que como estamos trabalhando com pessoas, deve-se ter a sensibilidade de analisar e escolher a melhor estratégia para orientar cada perfil de time natural, bem como cada líder destes times. Talvez seja esta sensibilidade o grande diferencial deste programa, pois é através desta personalização da estratégia que se melhora a capacidade de mantermos as pessoas motivadas para as melhorias.

Autora: Rafaela dos Santos, Engenheira de Processos da WEG Automação – Jaraguá do Sul/SC

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