Desempenho logístico: as 5 recomendações para otimizá-lo

Desempenho logístico: as 5 recomendações para otimizá-lo

Com o passar do tempo, as expectativas dos clientes com relação ao nível de serviço vêm crescendo, exigindo uma entrega cada vez mais rápida. Neste contexto, fornecer a agilidade esperada tornou-se um desafio em decorrência do aumento nos custos de transporte, exigindo a busca constante pelo equilíbrio entre ambos os fatores e pressionando a cadeia de suprimentos como um todo para se adequar ao cenário competitivo.

 

Para que este equilíbrio seja alcançado, é necessário considerar o desempenho operacional em conjunto com o OTD (On-Time-Delivery), ou seja, alinhar a eficiência e a agilidade para garantir o melhor atendimento ao cliente de forma sustentável.

 

Principais benefícios em melhorar a eficácia da sua logística

 

Em uma era de comércio globalizado e mundial onde a guerra de preços é feroz, os líderes logísticos procuram formas de reduzir os custos e aumentar o nível de serviço, mas muitos ainda não encontraram o caminho certo a seguir. Com a crescente pressão para entregas last-mile eficazes, os agentes que conseguirem uma cadeia de suprimentos ágil e Lean, capaz de se ajustar em tempo real à demanda, alcançarão uma vantagem competitiva, resultando no aumento do marketshare e da rentabilidade. Para garantir um fluxo de mercadorias otimizado e estável, o foco deve ser colocado na melhoria da produtividade a um nível operacional, enquanto, ao mesmo tempo, se repensa toda a rede.

 

O princípio mais controverso nas operações logísticas é a mudança de uma eficiência dos recursos para a eficiência do fluxo: no primeiro, eficiência dos recursos, cada parte do processo pode até parecer eficiente devido à sua elevada taxa de ocupação, mas o fluxo quebra a um ritmo constante, e os materiais continuam à espera entre elos durante horas ou dias. No segundo, eficiência do fluxo, o foco é colocado no elemento certo - o cliente - permitindo que as mercadorias fluam uniformemente ao longo da cadeia num prazo mais curto, garantindo o desempenho global em termos de custos e nível de serviço.

 

A boa notícia é que esta passagem da otimização local para a global não significa necessariamente um elevado investimento, mas sim a criação de processos mais produtivos, agilizados e focados no cliente. Com processos sólidos em vigor, as empresas de logística poderão reduzir o fluxo porta a porta, reduzir o Lead Time, minimizar o custo de serviço, garantir rapidez e confiabilidade na ligação de todos os elos do processo, e, assim, atingir a eficiência logística.

 

Como melhorar a logística da sua empresa

 

No passado recente, o cenário pré-pandêmico focado na eficiência foi substituído por uma realidade focada na resiliência, originando uma enorme reviravolta no plano de ação das empresas. A escassez econômica, a guerra do leste europeu e a aceleração da digitalização são questões que estão impulsionando ideias competitivas em todo o setor.

 

Em conjunto com este cenário, infraestruturas inadequadas, desafios logísticos e gestão ineficiente dos transportadores minam o crescimento das empresas e aumentam o risco de estagnação em todo o setor. Mas o que é que as empresas de logística estão fazendo para enfrentar estes desafios?

 

As abordagens mais comuns envolvem o investimento em software avançado, infraestruturas ou soluções automatizadas como parte da estratégia de inovação. Mas será que os líderes estão considerando todas as soluções, ou será que se estão esquecendo de algo? Esta trajetória revela a falta de estabilidade básica nos processos centrais da organização e pode tornar o sistema mais rígido e não flexível. Estes desafios não devem ser ignorados, claro, mas podem estar a desviar a atenção do que realmente importa: os processos.

 

Quando se trata de operações de armazenamento, os gestores continuam trabalhando de acordo com uma abordagem funcional, baseada em categorias, e afirmam que a falta de recursos e espaço são as principais preocupações.

 

Adicionalmente, existem os transportadores tradicionais de carga única, com uma elevada rotatividade e com o paradigma de entrega rígidas ainda comuns entre os agentes de transporte.

Isto implica perdas ocultas de produtividade e um aumento do tempo de espera do ponto de vista dos clientes. Ainda assim, as melhores empresas de logística já conseguiram superar estes inconvenientes.

 

Sabemos por experiência como resolver estes problemas de forma eficaz e os benefícios que as principais contramedidas podem trazer. Para isso, reunimos as principais iniciativas a desenvolver para impulsionar o desempenho logístico de uma forma prática e sustentável, abordando tanto o armazenamento como os fluxos de transporte.

 

Desenho de Layout Lean

 

A escolha do layout do armazém pode significar o sucesso ou o fracasso do desempenho operacional global. Cada centro de distribuição enfrenta problemas que causam múltiplas paradas e perdas de produtividade, incluindo layouts não orientados para o fluxo, equipes mal dimensionadas, carga de trabalho desequilibrada e manuseamento excessivo de material.

 

Para criar um layout otimizado do armazém e simultaneamente otimizar a capacidade e melhorar a produtividade, deve-se seguir os princípios Lean de organização por fluxo de valor, layout em U, localização dos componentes e embalagem de acordo com a otimização do consumo e das áreas de armazenamento. Estes princípios podem ser combinados com os princípios de gestão visual, padronização e sistemas à prova de erro, devendo sempre garantir a ergonomia, a saúde e a segurança.

 

Fluxos agilizados de doca a doca

 

Uma vez que a maior parte do tempo dos recursos em um armazém é passado em movimento, o foco deve ser colocado em entregar o mesmo valor com o menor esforço. O objetivo final é reduzir a manipulação de material para suavizar o fluxo de entrada e saída, incluindo descarga, armazenamento, reposição, picking e carga.

 

As principais iniciativas para alcançar tal resultado devem exigir a separação entre picking e reposição ou a criação de corredores dedicados, a triagem dos itens por destino imediatamente no momento do picking, a minimização de registos e documentos, a eliminação de pontos de parada, o incentivo ao crossdocking quando adequado, a eliminação do reembalagem, o controle de qualidade da amostragem durante o fluxo, a execução de picking com mãos livres sempre que possível e a utilização de métodos de picking adequados de acordo com o perfil da demanda.

 

Planejamento flexível da rede

 

A eficiência operacional tem um impacto determinante nos resultados, mas quando se trata de atingir o próximo nível de desempenho, o planejamento estratégico e tático também deve ser questionado.

 

Não basta construir armazéns de elevado desempenho se a rede de processamento por trás for excessivamente complexa, rígida na resposta à demanda e impulsionada por previsões de baixa precisão. Para uma otimização global, a rede logística deve ser focada em evitar trajetos que conduzam a um excesso de custos.

 

Os comportamentos tradicionais de planejamento descentralizado, manual, baixa altura das pallets e excesso de papéis devem ser substituídos por um modelo disruptivo e Lean, baseado em: redesenhar toda a rede para agilizar os macro fluxos, através de centros estrategicamente localizados, distribuição capilar e frota intermodal, escalável; reduzir o Lead Time da cadeia com entregas flexíveis e precisas; reduzir o desperdício de transporte, promovendo viagens de backhauling (evitando viagens sem carga) e minimizando a logística inversa.

 

Execução precisa do transporte

 

Os gestores da cadeia de abastecimento procuram, mais do que nunca, otimizar o tempo que as rodas dos caminhões estão na estrada. Rotas de entrega não otimizadas, localizações dispersas dos pontos de parada e a volatilidade da demanda geram atrasos acumulados nas encomendas e intensificam os efeitos do aumento dos custos de transporte.

 

Para evitar estes inconvenientes, as iniciativas de otimização do transporte devem ser aumentadas, de modo a garantir um maior nível de serviço e elevadas taxas de ocupação. Em primeiro lugar, é necessário prever com precisão as vendas e os volumes a médio prazo, com base em algoritmos de previsão flexíveis e na demanda real. Depois, é necessário planejar a capacidade, o que significa o dimensionamento adequado dos recursos para responder às necessidades, o nivelamento da carga para preservar a eficiência e a definição de cortes de pedidos. Finalmente, a própria execução do transporte é abordada, através de algoritmos de planejamento de rotas, programação de veículos e tripulação e agrupamento de volumes.

 

Acompanhamento contínuo da operação

 

Ninguém será beneficiado ao máximo das medidas mencionadas acima se não existir um processo de acompanhamento em execução. Embora normalmente negligenciada, a linha de ação tradicional ocasional e reativa nunca tornou possível o sucesso de qualquer organização.

 

A criação de sistemas de acompanhamento que acompanhem o desempenho em tempo real permite a rápida resolução de problemas e ajustes precisos. Isto implica em construir uma operação orientada por dados e implementar ferramentas de dimensionamento de recursos em tempo real para satisfazer de forma eficaz a demanda.

 

Ao criar uma dinâmica de revisão do desempenho impulsionada pelos dados do chão de fábrica, os trabalhadores tendem a se sentir mais confortáveis com a orientação por dados e desempenho. Assim, as equipes poderão trabalhar em prol de um objetivo comum, com a possibilidade de uma remuneração baseada no desempenho.

 

Implementação de um processo de otimização da logística

 

A maioria das empresas de logística ainda trabalha sob um panorama tradicional – operações interrompidas, atividade baseada em emergências, logística inversa, movimentação em lotes, fluxos não nivelados, viagens sem carga, baixas taxas de ocupação, entre outros.

 

Esta é a imagem comum entre os praticantes mais conservadores. As equipes estão abertas a ouvir e discutir novas ideias, mas procuram apoio, uma vez que as ideias já estabelecidas anteriormente pesam e impedem a sua evolução.

 

A verdadeira oportunidade está no gemba, onde o trabalho é feito, e os ganhos rápidos são visíveis quando se tem consciência deles. Fazendo uma análise aprofundada dos processos, com a participação de todas as equipes relevantes, as empresas serão capazes de desenhar uma visão orientada para a demanda, além de lucrativa para seus negócios, obtendo assim as melhorias revolucionárias que procuram.

 

As peças do quebra cabeça logístico são conhecidas e as organizações que não se conformam com seu estado atual, que procuram a excelência nos seus processos e que se tornam ágeis na sua estratégia, estarão mais próximas dos resultados desejados. É necessário acrescentar valor ao negócio, com base numa reorganização que se baseia em garantir uma entrega confiável, rápida e ágil, adotando uma abordagem disruptiva. Apenas as organizações mais arrojadas, disciplinadas e inovadoras prosperarão e serão capazes de diminuir o custo total de serviço ao mesmo tempo que entregam maior valor aos clientes.

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